ERP’s nas 1.000 Maiores Empresas Brasileiras - Parte 1

Análise por Faixa de Faturamento

Leopoldo Barros

Introdução

Para ajudar a melhor entender o mercado brasileiro de ERPs procurei, elaborar um levantamento dos sistemas instalados nas empresas brasileiras, definindo um universo de empresas muito representativo, que pudesse representar parcela significativa do mercado brasileiro, o qual segmentei pelas dimensões de análise que entendi mais relevantes.

O universo escolhido foi o das 1.000 maiores empresas brasileiras, atualizado anualmente pela Revista Exame, da Editora Abril, considerando a edição de 2015.

Levantei os dados foi com o auxílio de profissionais que trabalham com os fornecedores brasileiros de ERP, e com seus parceiros. Não obtivemos as informações de todas as mil empresas do universo pesquisado, mas o número de empresas faltantes é pequeno, e não prejudica as conclusões do levantamento.

ERPs Considerados no Levantamento

Consideramos neste levantamento os seguintes ERPs:

SAP, e também os produtos All in One e Business One, embora a presença do Business One no universo estudado seja praticamente nula.

Totvs, com os produtos Protheus (da antiga Microsiga), EMS (da antiga Datasul), Logix (da antiga Logocenter) e RM (da antiga empresa do mesmo nome). Além destes produtos, consideramos alguns sistemas de aplicação específicos a um setor de atividade (Industry Solution), quando funcionando como ERP (sistemas para aplicações hospitalares, educacionais, de supermercados, outros).

Oracle, com os produtos EBS, J.D. Edwards e Peoplesoft.

Sênior, com o produto Sapiens.

Microsoft, com os produtos Dynamics e Navision.

IFS, com o produto IFS.

 

Para os demais ERPs, não fornecidos pelos fornecedores acima, consideramos, os grupos que chamamos de:

Industry Solution, que engloba os produtos que atendem a um segmento específico, mas que executam também as funcionalidades de um ERP tradicional e são usados também como tal. As soluções para hospitais, escolas, cooperativas agrícolas, operadoras de saúde, lojas de varejo, supermercados, e outros, se enquadram nesta classificação.

Outros, englobam os ERPs de fornecedores não considerados acima, por serem numerosos e terem parcelas de mercado menores que os anteriormente citados. Como outros citamos fornecedores como Infor, Benner, CIGAM e outros.

Consideramos, também, os sistemas com as funcionalidades de ERP desenvolvidos internamente pela empresa usuária ou por empresa por ela contratada. A estes sistemas denominamos “Próprios”.

Quando não obtivemos, para alguma empresa da lista das 1.000 maiores, a informação sobre o ERP implantado, denominamos Não Identificados.

Dimensões escolhidas

As dimensões que consideramos, dentro das 1.000 maiores empresas de 2015, são: faixa de faturamento, tipo da atividade, tipo de controle de capital e região sede.

Dividimos as empresas em 5 grupos, por faturamento, considerando o grupo das 200 maiores e os grupos da 201 a 400, da 401 a 600, da 601 a 800 e da 801 a 1.000.

As demais dimensões serão analisadas em outras edições de levantamento.

 

Mercado por Porte da Empresa (2015)

Da empresa 1 até a 200

O mercado das 200 maiores empresas do Brasil possui a distribuição por ERP indicada na tabela abaixo:

 

Somadas SAP e Oracle, a parcela de mercado ficaria muito próxima de 90 %.

Os 10 % restantes são divididos pelo Totvs, com presença em grandes Construtoras, por Industry Solution, especialmente com soluções para Planos de Saúde e Hospitais e por softwares desenvolvidos internamente.

Software próprios estão presentes, nesta faixa de empresas, em Varejistas, Cooperativas e empresas de Tecnologia Digital.

Na faixa imediatamente inferior, dasempresas 201 a 400, o mercado começa a ficar menos concentrado do que na faixa das 200 maiores, como vemos abaixo:

 

A SAP continua predominante, mas cai de 77 % para 62,5 %, enquanto a Oracle mantém os 12 % inalterados.

A Totvs já se aproxima de 10 % do mercado, com empresas de vários segmentos de atividade, mas com uma característica interessante: a total ausência de empresas Multinacionais.

Também os softwares desenvolvidos internamente e os Industry Solution crescem para, respectivamente, 5,5 % e 5 %.

Os softwares próprios, nesta faixa, também foram desenvolvidos por empresas Varejistas, Cooperativas e de Tecnologia Digital, além de empresas Estatais, e os Industry Solution também foram implantados para Planos de Saúde e Hospitais, e também para Cooperativas e Supermercados.

A presença de outros ERPs cresce também nesta faixa de empresas, mas ainda sem atingir, somados, 5 % deste mercado.

Na terceira faixa, das empresas 401 a 600, continua o processo de desconcentração do mercado, como vemos abaixo:

 

Neste segmento, a presença da Totvs é especialmente forte em empresas de Controle Familiar, a Oracle concentra-se em Multinacionais e em empresas de Capital Aberto.

Os softwares próprios e Industry Solution mantêm parcelas de mercado muito semelhantes às das faixas imediatamente superiores.

 

Na faixa de 601 a 800, a SAP continua caindo (47%), a Oracle estaciona (8 %) enquanto a Totvs também cai (19,5 %).

Para a Totvs esta faixa foi um ponto de descontinuidade, pois nas demais, quanto menor o porte das empresas, maior o market share da Totvs, o que só não ocorreu nesta faixa.

 

Os outros fornecedores atingem nesta faixa sua maior parcela de mercado (7,5%) e seus clientes são, principalmente, Cooperativas e Planos de Saúde.

 

Na faixa, mais baixa, de 801 a 1.000, a SAP continua a cair (40,5 %), a Oracle mantém sua parcela (8 %), ao contrário da Totvs que cresce para 24%.

 

A Sênior também atinge sua maior parcela de mercado (4 %), bem como as empresas com ERP não identificados (5,5 %). Estas estão, predominantemente, empresas familiares.

No gráfico abaixo, vemos as evoluções de cada um dos principais ERP considerados, conforme faixa de faturamento:

 

A SAP predomina em todas as faixas de faturamento consideradas e este predomínio é tanto maior quanto maior for o faturamento das empresas. A SAP predomina nas empresas do topo do universo pesquisado, mas lidera, com folga, em todas as outras faixas.

A Totvs segue em uma tendência inversa, crescendo quanto menor for o faturamento das empresas consideradas. A faixa de 601-800 foi exceção, possível, mas não provável.

A Oracle também predomina nas faixas mais altas de faturamento, mas de forma bem menos acentuada que a SAP.

Microsoft e IFS têm participações muito pequenas e sem tendência definida, diferentemente dos ERPs de outros fornecedores, como Sênior e os de origem não identificada, que predominam nas faixas de empresas menores.

Industry Solution e software próprio não apresentam predominância em nenhuma faixa de faturamento.

O gráfico foi originado da tabela abaixo:

 

 

Os resultados para as 1.000 maiores podem ser vistos na tabela abaixo:

 

 

Confira o artigo completo aqui.

  

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