*Por Fabio Ferreira
A escolha de um fornecedor de soluções e serviços de TI é, ao mesmo tempo, um desafio, uma arte e uma aposta. Desafio pela pluralidade de opções disponíveis; arte porque é algo que pode ser aprendido e aperfeiçoado; e aposta pois se trata de um processo que pode ser vítima do imponderável a qualquer momento – como costuma ser em qualquer relação comercial. Ainda assim, há critérios que podem ser delimitados, e vale a pena fazê-lo.
Vale a ressalva de que, no caso específico da inteligência artificial, há um agravante: temos hoje em dia um grande leque de empresas oferecendo soluções nessa seara, cada uma mais “promissora” que a outra. Sem fazer as perguntas apropriadas, e sem um escrutínio detalhado, a chance de optar por um fornecedor que não irá além da promessa é considerável.
Para não cair nessa armadilha, não há um passo a passo universal e infalível, mas há aspectos essenciais a avaliar. Dois deles, em especial, se desdobram em peculiaridades que precisam ser examinadas antes de se estabelecer qualquer parceria. Vamos olhar especificamente para cada um:
Por mais que esses dois aspectos pareçam óbvios, são poucos os gestores que se atentam a eles quando estão em busca de um parceiro “tradicional” de TI. O que dizer, então, de IA, com toda a pressão para se apresentar algum resultado expressivo com urgência?
Outra “obviedade” normalmente deixada de lado são as POCs (proof of concept). Embarcar na onda porque “é o que todos estão fazendo” é uma atitude comum, mas em qualquer projeto de TI – e não só de inteligência artificial – as provas de conceito são fundamentais. Cabe, ainda, considerar a escalabilidade da solução.
Em termos de capacidade técnica, já temos no mercado brasileiro algumas empresas verdadeiramente capazes de apoiar o mercado interno com uma oferta de qualidade. Como costuma ser no setor tecnológico, o Brasil consegue se adaptar muito rapidamente à onda do momento.
Ainda assim, é preciso lembrar que a maior parte dos grandes fabricantes internacionais têm suas IAs embarcadas. Da Microsoft ao Google, praticamente todas têm algum desenvolvimento em inteligência artificial, e pode ser que o mercado nacional encontre algumas limitações diante da ampla oferta trazida por esses players.
Seja como for, o importante é que a solução possa ser integrada aos sistemas e processos já adotados pela organização. A interoperabilidade precisa ser facilitada. Quanto mais mudanças forem necessárias na infraestrutura, mais demorada e cara será a implementação – com grande possibilidade de resultar em menor eficiência no final.
A escolha desse parceiro deve ser uma decisão conjunta entre a TI e o negócio. A área de tecnologia certamente tem mais condições de fazer a avaliação dos aspectos técnicos aqui levantados, mas o negócio também precisa se instruir para não se encantar com uma apresentação de PowerPoint bem-feita. E, por sua vez, o negócio pode ter melhores recursos para avaliar aspectos como a saúde financeira e a solidez empresarial do fornecedor.
Isso é especialmente válido para a questão financeira. Para falar em custo-benefício, é preciso antes falar sobre o retorno sobre o investimento (ROI). E esse assunto é, literalmente, um capítulo à parte. Não é só a implementação: licenciamento, manutenção, atualização, treinamento e outros fatores vão influenciar no tamanho do investimento e o retorno pode levar até 18 meses – ou sequer valer a pena, dependendo do parceiro.
Por último, mas não menos importante, é preciso ter em mente que a segurança da informação sempre merece atenção especial. Isso começa já na conformidade regulatória (afinal, a IA é, essencialmente, uma ferramenta que lida com dados), devendo atender às regulamentações como LGPD e GDPR, e passa por transparência na coleta de informações, aplicação de criptografia e afins.