O excesso de informação é o novo lixo corporativo?

Por falta de tratamento adequado, dados estão se tornando um custo e um problema, sem darem o retorno esperado, e esse é um gargalo que precisa ser resolvido na origem

*Por Ricardo Stucchi

Assim como o petróleo, os dados se tornaram um dos recursos mais valiosos do planeta. Mas também seria justo dizer que ambos são uma ameaçadora fonte de poluição. A sobrecarga de estímulos e informações acaba resultando em dados de má qualidade, o que gera um problema (dos grandes) para os negócios. Isso porque um aspecto fundamental foi subestimado: dados são ciência e, como tal, exigem método e precisão.

Sem um filtro para a seleção e indexação de dados, fica difícil entender ou mensurar o real valor que eles podem trazer. As organizações passam a guardar literalmente qualquer coisa porque  “pode ser que um dia seja necessário”. Já existe uma expressão para isso – “data hoarding”, o acumulador compulsivo de arquivos digitais. Um dos efeitos colaterais dessa conduta, por mais irônico que pareça, é que a possibilidade de um dado essencial não estar disponível quando preciso é enorme, porque a gestão é deficitária ou inexistente.

Onde guardar?

Privados de confiabilidade e rastreabilidade, dificilmente os dados serão úteis. E essa não é uma questão restrita à gestão de TI. Além dos riscos que a má gestão de dados traz à eficiência corporativa, existe outro aspecto que pede atenção imediata: onde esses dados estarão guardados? Armazenamento demanda investimento, o qual tem se tornado cada vez maior. Só no primeiro trimestre de 2025, os custos de nuvem subiram 21%, conforme aponta um levantamento da Canalys. No Brasil, os preços praticados estão 50% acima da média global, segundo um levantamento do Boston Consulting Group.

Se a sua empresa conta com data centers próprios, vai precisar desembolsar mais dinheiro também, para dar conta não somente do ambiente de produção, mas também dos backups periódicos, conforme as boas práticas de segurança da informação. É óbvio que não existe “TI grátis”, mas sempre que um valor cresce de forma galopante, é necessário pensar o que esses custos representam para a empresa na prática. Em outras palavras, avaliar se tanta informação armazenada será, de fato, utilizada da forma que se espera.

Informação tem ciclo de vida.

Mesmo as mais valiosas têm prazo de validade. 

Evidentemente, algumas informações precisam ficar disponíveis por determinado período por questões regulatórias. No entanto, certas empresas operam como se sua capacidade de armazenamento de dados – seja ela on premise, em nuvem ou híbrida – fosse infinita. Não é, e jamais será. Toda base de dados precisa ter dados expurgados de tempos em tempos, e é preciso critério para isso.

Toda ciência pede uma análise

No mundo ideal, cada empresa faria uma bem-feita lição de casa para saber qualificar seus dados, guardando apenas o que precisa. Sabe aquela velha expressão “agregar valor”? Pois bem, ela nunca fica obsoleta. Por que, então, guardar o que não terá valor?

Enquanto se gasta uma soma considerável para “guardar”, raras são as empresas que despendem a justa quantia para fazer uma análise desses dados. A razão para isso? “Custa caro”. Mas é um engano grave acreditar que dá para gerir dados “de cabeça”. Empregabilidade, escalabilidade, valor — nenhum desses elementos é medido por intuição. Entretanto, conheço vários casos em que os dados são ignorados, pois o time acredita que pode usar apenas sua experiência.

Além disso, a análise de dados vai além de meros relatórios. Eles podem até ser o ponto de partida, mas existe uma armadilha conceitual: quanto mais indicadores a serem analisados, mais dados parecem se fazer necessários. É como se o gestor olhasse e dissesse: “eu tenho o dado X e o dado Y, mas se eu tivesse o dado Z, eu poderia cruzá-los, e….” O que vai frear esse apetite aparentemente infinito vai ser uma estratégia clara de “o que” e “onde” o negócio precisa chegar.

É fundamental uma boa arquitetura, livre de conceitos defasados e que vai definir quais são os componentes que tratam cada dado, permitindo dimensionar o nível de confiabilidade e integridade deles. O valor da informação sempre é atribuído dentro de processos, os quais estão amparados por uma arquitetura e uma estratégia. Descolar a gestão de dados desse contexto é garantia de que o gasto com eles será sempre desproporcional aos resultados que podem trazer.

Por mim, esse assunto não pode ser tratado como mais uma iniciativa da área de tecnologia. Ele precisa ser discutido junto ao negócio e estar integrado aos planos estratégicos de tecnologia das organizações. Afinal, informação não é algo valioso por si só.

artigo assinado por

Ricardo Stucchi

Sócio-consultor
Mais de 20 anos de atuação na área de TI. Trabalha intensamente para dar respostas a problemas complexos dos clientes.
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